No Dia Nacional da Consciência Negra de 2009, a Pastoral da Comunicação Arquidiocesana publicou o primeiro artigo da médica endocrinologista Mara Narciso - “Cordial. Pois sim!” -, neste site. Na ocasião, ela se descreveu como parda e acadêmica do sétimo período de Jornalismo do Curso de Comunicação Social das Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte). Ela apontou também que é autora do livro “Segurando a Hiperatividade”. Daí aguçou-se a curiosidade da Pastoral da Comunicação e, no domingo, 06 de dezembro do ano passado, foram enviadas por e-mail 10 perguntas para a médica a respeito do livro.
“Segurando a Hiperatividade” é uma produção de abril a setembro de 2004. O seu lançamento aconteceu um ano depois - em abril de 2005 -, pelas Edições Cuatiara. “Ainda tenho livros que vendo pela internet ou no meu consultório”, informa. O endereço do seu consultório é Rua Irmã Beata, 200, Sala 101, Centro de MOC. Outras informações pelo telefone (38) 3221-8240 ou pelo e-mail yanmar@terra.com.br. Confira abaixo a entrevista de Mara Narciso a este meio de comunicação social. E não se esqueça de acessar, ler e comentar o Blog do Yanmar - www.fernandoyanmar.wordpress.com.
O nascimento do livro
O meu único filho é portador do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Desde que andou nunca mais parou. Ainda hoje, aos 25 anos, é hiperativo. O tratamento dele começou aos dois anos e seis meses, pois era muito diferente dos outros. Não parava um segundo que fosse. Aos três anos e cinco meses, leu sem ninguém ensinar uma letra que fosse - a TV o alfabetizou. Aos quatro anos, foi expulso do Colégio Padrão, ocasião em que foi dado o diagnóstico da doença que, naquela época, há 21 anos, era chamada ‘Disfunção Cerebral Mínima’. Dava tanto trabalho que eu, quando tentava explicar o que ele tinha, dizia que só escrevendo um livro. E foi o que fiz. São 288 páginas, onde, em 100 crônicas, eu conto como foi criá-lo e educá-lo. Era preciso que ficasse seguro pela mão o tempo todo, até uns oito anos de idade, para que não se acidentasse e morresse. Hoje, ele é formado há um ano em Design, mas está desempregado.
Alcance da obra
O livro teve uma repercussão interessante, me levando a estudar ainda mais o assunto e a participar de palestras, de entrevistas no rádio e na TV e outros desdobramentos. As pessoas gostaram da minha escrita e disseram que eu tinha uma linguagem jornalística. Então fui me aprimorar e estou terminando o curso de jornalismo, pois já farei, no próximo semestre [primeiro semestre de 2010], o último período. Hoje não faço mais parte do Orkut, mas criei e participei de diversas comunidades que tratam do tema. Aprendi e ajudei muita gente, fazendo amigos que duram até hoje. Fiz pesquisas dentro das comunidades buscando soluções para as dificuldades escolares dos portadores e listei soluções para casa e para a escola.
Definição do TDAH
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade se caracteriza por dificuldade de manter a atenção fixa em um foco, desde que seja chato e monótono, pois o portador de TDAH pode ficar dez horas seguidas, ou mais, jogando videogame, sem se cansar. Na verdade, presta atenção em várias coisas ao mesmo tempo, não havendo um filtro e, por isso, se distrai com facilidade e, daí, a má performance escolar. Como diz a psiquiatra Ana Beatriz Silva, é como se ele tivesse uma antena parabólica captando tudo ao redor.
Preconceito
A impulsividade é o que mais prejudica o portador de TDAH, pois não há censura, e fala e faz tudo o que vem na cabeça para depois pensar. Isso não ocorre porque não sabe que é errado. O funcionamento cerebral dele o faz agir por impulso, sem amarras, e depois sofre com as consequências, embora não as desconheça. A discriminação e os castigos, algumas vezes injustos, massacram essa pessoa, já que tudo que acontece de errado recai sobre ela.
Tipos
A hiperatividade pode ser mental ou física, ou ambas. Na verdade, pensava-se que as meninas não tinham TDAH, mas é que elas costumam apresentar o tipo predominantemente desatento.
Tratamento
O medicamento padrão ouro para o TDAH é o metilfenidato, que não é o bom comportamento em comprimidos. É uma droga cujo nome comercial é Ritalina, que organiza os pensamentos do hiperativo, ajudando-o a cumprir suas tarefas, já que ele começa muitas coisas, mas não termina nada, estando afundado num turbilhão interminável de coisas por fazer. Há um excesso de diagnóstico de hiperatividade e mau uso e abuso da medicação. Meninos agitados e inquietos não são necessariamente hiperativos.
TDAH no dia-a-dia
A hiperatividade atrapalha a pessoa em todos os âmbitos da vida dela. O hiperativo funciona do mesmo jeito em todos os lugares e não muda nada diante da mais alta autoridade, mesmo porque não consegue. Quando quer fazer, ele faz, mesmo correndo sérios riscos. Os prejuízos são grandes, mas a pessoa não se contém, especialmente quando criança. Com a idade, a exigência social fala mais alto e ele passa a se comportar de outro modo, mais contido. No entanto, surgem ‘tics’ e outras ansiedades. Nessa fase, a hiperatividade mental pode ser ainda maior.
Como a sociedade reage ao TDAH
A sociedade de hoje é permissiva em certos pontos, e assim a proliferação de comportamentos inadequados pode ocorrer, sem ser hiperatividade. Dizem que os alimentos industrializados podem contribuir, mas são teorias, assim como o abuso de açúcar e outros componentes da indústria alimentícia. Por outro lado, há um monte de gente que sempre se julgou burro e incapaz, criticado por ser desorganizado e que nunca conseguiu concluir nada. Com o diagnóstico de TDAH e seu tratamento com exercícios físicos, Ritalina e Psicoterapia cognitivo-comportamental, descobre que pode ter uma vida produtiva e feliz. Então é um alívio.
acesse também www.tdah.org.br
