O século XX construiu novas vias históricas para a sociedade. Os caminhos das ciências também sofreram profundas transformações nesse século por novas formas de lidar com as teorizações e as linguagens. A evidência dos novos fatos socioculturais levou alguns estudiosos dentre eles Lyotard, Jameson e Santos a caracterizá-los como pós-modernos, instalando-se uma polêmica sobre o fim da modernidade. De outra parte, argumenta-se que esses eventos tratados como novos não o são em essência, eles estão ainda sob a regência da modernidade, e esta é tida como um período histórico-cultural e científico que ainda não acabou.
Os pós-modernistas costumeiramente citam a Igreja Católica Apostólica Romana como um exemplo de uma instituição pré-moderna. A pré-modernidade foi seguida pela modernidade, que buscou inspiração no Iluminismo do século XVIII. O Iluminismo rejeitava autoridade e tradição, colocando razão e ciência no seu lugar. Indivíduos autônomos podem achar sentido e verdade através de razão e ciência. Isto leva naturalmente à ideia que valoriza a racionalidade. Pós-modernistas desvalorizam a importância do conhecimento porque, para eles, o conhecimento não é objetivo, mas algo que cada um de nós constrói com nossos próprios jogos de linguagem.
A pós-modernidade é vista como um período possuidor de problemas de todas as ordens, mas também impregnado de possibilidades que não podem ser desprezadas. A orientação recebida pela formação religiosa pretende-se ser mais crítica ao modelo relativista da pós-modernidade que se define através da transgressão e superação de valores considerados tradicionais. Neste sentido, este período histórico se constitui pela destradicionalização onde os indivíduos que não aceitam decisões impostas, rígidas, burocratizadas e que não condizem com suas necessidades. Porém, se veem desorientados, sem referencial.
Como se percebe, a pós-modernidade coloca desafios para instituições que se pautam em valores tradicionais, perenes. Esta condição histórica na qual vivenciamos se formula pelas complexidades e pelas contradições. É um mundo com exclusões, problemas de grandes consequências. Em conjunto com as mudanças desse tempo, torna-se indispensável uma análise cada vez mais crítica por parte dos indivíduos, especialmente daqueles que são cristãos. E é justamente neste contexto de complexidades e contradições, típicas da pós-modernidade, que a presença de instituições sólidas ajudam a produzir um confronto articulado de posições, ao mesmo tempo em que criem proposições de futuras alternativas para a vida em sociedade.
A pós-modernidade, com seu caráter policultural, sua multiplicidade, sua hiperinformação, levam a uma profunda racionalidade que por sua vez transforma os seres sociais em indivíduos cada vez mais isolados. O consumismo cria e destrói seus produtos com imensa velocidade, tudo passa a ter prazo de validade efêmero. Tudo é para ser consumido e descartado, o que cria um choque de adaptação. A Semana Santa, agora é motivo para viagens vendidas em pacotes turísticos, o amor passa a ser medido em presentes adquiridos em grandes redes de lojas, o real é virtual, e as produções artisticas e culturais estão se uniformizando para o consumo. Esta realidade afeta a percepção de mundo e cria uma contra-posição aos valores cristãos, que norteaim a doutrina católica.
Para muitos teóricos, filósofos e sociólogos, a época atual é marcada por fenômenos que representam um divisor de águas. A chamada pós-modernidade é caracterizada por mudanças significativas. Entre as mais evidentes, e que desencadearam muitas outras, pode-se apontar a globalização, unificadora das sociedades do planeta, um novo modo de cultura e as novas condições que põem literalmente em perigo a continuidade da espécie humana. Esse novo período histórico surgiu com a desconstrução de princípios, conceitos e sistemas desfazendo todas as amarras da rigidez. Com isso, os três valores supremos, o fim, representado por Deus, a unidade, simbolizada pelo conhecimento científico e a verdade, como os conceitos universais e eternos, já estudados por Nietzsche, entraram em decadência.
A Igreja Católica de alguma maneira empreende uma luta contra o relativismo cultural, a ausência de valores absolutos, o consumismo exagerado, o hedonismo, o narcisismo, o imediatismo e falta de referências absolutas capazes de tornar o mundo um lugar mais seguro e o ser humano autor consciente de sua própria história. As posições antagônicas entre a tradição católica e a ruptura pós-moderna é por si só um tema inquietante.Despertar os seres humanos para valores como amor, justiça, verdade e fraternidade torna mais humana nossa existência, especialmente nessa era marcada pela racionalidade extrema. A Igreja, com sua função natural de orientar, não pode se furtar a esse papel.
É bacharel em Administração e Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Pós-graduado em Pedagogia Empresarial, Sociologia e Política. Foi um dos produtores do "Revista Católica", primeiro programa de televisão da Arquidiocese de Montes Claros, veiculado na TV Geraes (pertencente à Fundação Genival Tourinho, de Montes Claros) de 25 de abril de 2005 a 25 de janeiro de 2006. Foi também um dos mentores do jornal "Clarão do Norte", informativo impresso arquidiocesano lançado em Missa Solene na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida de MOC em 08 de dezembro de 2007, além de já ter participado como missionário da Pastoral da Comunicação Arquidiocesana com colaborações para o site desta Igreja Particular e para o jornal "Far-ELO de Vida", informativo impresso arquidiocesano do Governo de Dom Geraldo Majela de Castro e que circulou de 1996 a 2006.
