artigo 136
A aparição de Deus a Moisés mostrou o cuidado amoroso do Senhor para com o povo sofredor: “Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor por causa da dureza de seus opressores... Desci para libertá-los das mãos dos egípcios e fazê-los sair daquele país para uma terra boa...” (Ex. 3, 7.8). Se o Criador cuida do seu povo, quem diz acreditar nele também deve ser-lhe obediente, ainda mais se recebeu o encargo do próprio povo para servi-lo com justiça, honestidade, qualidade administrativa e sem desvio do ideal de fazer o bem a quem é mais carente. Nem sempre isso acontece. Por isso, as pessoas devem estar atentas para exigirem de seus governantes o que lhe é de direito. O jogo de empurra-empurra, debitando aos outros níveis de poder os encargos ou obrigações não resolve o problema da população. Ser bom governante é ter compaixão do povo sofrido e ir ao encontro de suas necessidades, custe o que custar, priorizando o ser humano acima de quaisquer outros interesses.
A Campanha da Fraternidade nos coloca o desafio de utilizarmos a economia em vista do ser humano. Gastam-se milhões ou bilhões para o serviço aos já economicamente ricos e as prioridades sociais com frequência são deixadas de lado, como a educação, a saúde, a segurança... Faltam políticas públicas mais intensas aplicadas para as camadas mais sofridas. Antigamente se falava sobre governantes que davam pão e circo à população. Hoje se dá muito circo e pouco pão a parcelas que sofrem as injustiças de políticas favorecedoras de elites e desfavorecedoras de quem vive na pobreza e na miséria.
Mesmo tendo que passar pelo deserto, o povo hebreu não ficou sem alimento e água. Deus fez chover o maná e sair água do rochedo durante a trajetória para a conquista da terra prometida. No entanto, toda pessoa humana deve zelar para que os dons recebidos de Deus produzam frutos. A terra conquistada não significa tudo. É preciso ir mais além: a conquista do Reino definitivo. Servir a Deus é fundamental. Por causa d'Ele a caminhada existencial encontra sentido, com a prática da justiça e do amor fraterno. A Quaresma nos traz essa perspectiva. A conversão para a prática do amor a Deus e ao semelhante nos faz conviver numa sociedade em que reine a promoção da vida e da dignidade humana. A economia é um instrumento válido de desenvolvimento quando utilizada na perspectiva da promoção da pessoa humana e de toda a sociedade. A Providência Divina não deixa faltar recursos para a promoção de cada criatura. É preciso, no entanto, sabermos ser bons administradores dos dons de Deus, com todos os recursos da natureza, para a promoção do bem de todos. A concentração das riquezas nas mãos de minorias e o mau uso dos recursos da natureza provocam injustiças e o mal para todos. Na obediência ao Criador saberemos usar das riquezas e todos os recursos naturais para o benefício de todos. O lema da Campanha da Fraternidade “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” nos mostra a necessidade de revermos nossa ação nessa perspectiva.
É Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Primeiro Vice-Presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic). Nasceu em Ituiutaba, Minas Gerais, em 23 de outubro de 1943. Pertence à Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo (CSS). Foi nomeado Arcebispo Metropolitano de MOC em 07 de fevereiro de 2007, tomando posse nesta Igreja Particular em Missa Solene no dia 14 de abril do mesmo ano.
