O sociólogo Polonês Zygmunt Bauman é um dos pensadores contemporâneos que mais têm produzido obras que contribuem para analisar o mundo contemporâneo. Este pensador da sociedade atual propõe a utilização do conceito denominado "modernidade líquida" para definir o momento presente, refuta o termo “pós-modernidade" que, de acordo com ele, é uma denominação se transformou em um qualificativo ideológico.
Ao tratar sobre a modernidade líquida, Bauman cita que esta se caracteriza pelo momento em que a sociabilidade humana experimenta uma profunda transformação. Seus estudos apontam que o indivíduo está em busca de afirmação em seu espaço social e que, ao invés de solidariedade coletiva, há uma disputa e competição contínuas; o sistema de proteção estatal está enfraquecido e o plano individual suplanta o coletivo. Bauman também acredita que estão impossíveis perspectivas de longo prazo, dado a incerteza conjuntural; e ainda analisa que há um divórcio e uma iminente apartação total entre poder e política.
As análises do sociólogo polonês sobre a sociedade não podem ser refutadas e desprezadas, constituem um contributo necessário para o entendimento da realidade humana no momento presente. Embora analise a modernidade sob um prisma diferente do observado pela Igreja Católica, é notável como tanto esta instituição religiosa quanto o sociólogo apresentam leituras e apontamentos similares em suas perspectivas sobre o mundo.
A Constituição Pastoral Gaudium et Spes, promulgada sob o Papado de Paulo VI, assim como o intelectual polonês, examina as angústias e condições a que se submetem os seres humanos da contemporaneidade. De acordo com a Constituição Pastoral, a humanidade vive hoje uma fase nova da sua história, na qual profundas e rápidas transformações se estendem progressivamente sobre os povos. Traz em suas análises que a atividade criadora humana afeta quem as produz, o que causa consequências nos juízos e desejos individuais e coletivos, nos modos de pensar e agir, tanto em relação às coisas como às pessoas. Assim, os humanos, que tão imensamente alargam o próprio poder, nem sempre é capaz de opôr a suas consequências.
Para Bauman, as mudanças produzidas nos campos técnico e científico têm resultados sobre a coletividade. Para ele, a percepção de progresso foi transferida da ideia de melhoria partilhada para a de sobrevivência do indivíduo. Assim, o desenvolvimento é pensado não mais a partir do contexto de um desejo de corrida para a frente, mas em conexão com o esforço desesperado para se manter na disputa. É um processo acelerado, em que o motor capaz de oferecer propulsão a nossos desejos é de caráter singular e não plural. A observação do renomado sociólogo polonês se encaixa com a percepção aguçada da Igreja: a sua Constituição Pastoral verifica que há consideráveis transformações nas comunidades tradicionais, como são famílias patriarcais, os clãs, as tribos, aldeias e outros diferentes grupos, e nas relações da convivência social.
O desenvolvimento humano gerou consequências na forma como se organiza a coletividade, a sociedade. Para o Catolicismo, a sociedade industrial transformou radicalmente as concepções e as condições de vida social vigentes há séculos, embora não trate diretamente da questão que envolve o processo de individualização do ser. A Constituição Gaudium et Spes considera que das novas configurações resultantes dos avanços produzidos pelos seres humanos podem nascer desconfianças e inimizades mútuas, conflitos e discórdias, das quais homens e mulheres são simultaneamente causa e vítima.
As considerações de Bauman e da Igreja apontam que o indivíduo contemporâneo governado sob a lógica da modernidade ao procurar penetrar no interior de si mesmo aparece frequentemente mais incerto a seu próprio respeito. E, descobrindo gradualmente com maior clareza as leis da vida social, hesita quanto à direção devem imprimir. Como citado no ambiente das incertezas, o sociólogo considera que a ideia de progresso foi transferida de ideia partilhada para a de sobrevivência individual. Neste ponto, Igreja aponta para um caminho inverso: concebe o pensamento de uma sociedade universal enraizada na solicitude. Para a instituição religiosa, a caridade é a lei na sua plenitude. Para os católicos, a modernidade dá aos seres humanos múltiplas possibilidades e ao mesmo tempo múltiplas interdependências e assim é motivo para se acreditar que o mundo pode se unificar cada vez mais.
É bacharel em Administração e Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Pós-graduado em Pedagogia Empresarial, Sociologia e Política. Foi um dos produtores do "Revista Católica", primeiro programa de televisão da Arquidiocese de Montes Claros, veiculado na TV Geraes (pertencente à Fundação Genival Tourinho, de Montes Claros) de 25 de abril de 2005 a 25 de janeiro de 2006. Foi também um dos mentores do jornal "Clarão do Norte", informativo impresso arquidiocesano lançado em Missa Solene na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida de MOC em 08 de dezembro de 2007, além de já ter participado como missionário da Pastoral da Comunicação Arquidiocesana com colaborações para o site desta Igreja Particular e para o jornal "Far-ELO de Vida", informativo impresso arquidiocesano do Governo de Dom Geraldo Majela de Castro e que circulou de 1996 a 2006.
