artigo 135
Estar preparado para a hora da tentação nos faz prevenir para vencermos nossos males. As tentações dos ídolos são muito estimulantes. A formação para o discernimento em relação a valores é fundamental para formarmos nossa consciência e grandeza de caráter. Nem sempre isso ocorre. Somente o saber advindo da convivência humana e da escola não é suficiente para formarmos nosso enfoque de valores. A Palavra de Deus é referencial fundamental. Mesmo a ética somente fundamentada nas propostas e vontades de grupos humanos não satisfaz a sede humana de realização em relação ao objetivo maior da vida.
O tempo da Quaresma nos convida à ascese ou exercitação na prática do bem segundo Deus. Para isso, é preciso superar as sugestões contrárias às propostas dele, por mais atraentes sejam. Muitas delas estão embutidas na própria natureza humana. Outras são diretamente reveladas por Deus na história do povo bíblico ou pelo próprio Jesus. Hoje vivenciamos uma tendência muito forte para buscarmos o que vale aos interesses pessoais e apetites instintivos. Porém, nem sempre o mais apetitoso no momento vai ser o melhor para nossa vida ou realização de um projeto ou vocação. Muitas vezes temos que discernir bem para fazer a melhor escolha. A exercitação nessa prática nos coloca na necessidade de renunciarmos a tantas coisas para optarmos por outras de mais resultado na vida. O sentido da penitência é colocado nessa dimensão, ou seja, a exercitação da vontade para sabermos fazer escolhas melhores. Quem está pouco exercitado tem maior dificuldade de fazer certas renúncias, com consequências maléficas na vida, seja na ordem física e psíquica, seja na ordem da busca de valores maiores.
Jesus nos mostra sua postura diante das tentações (Cf. Lucas 4, 1-13) e nos ensina a vencê-las. Na sociedade atual, somos tentados a cada instante a buscar o mais prazeroso no momento. Os tentadores provocam de propósito, para obterem vantagens econômicas, políticas e outras. Parte da juventude tem sucumbido à tentação da droga, do sexo desenfreado, do modismo e outras. Parte da mídia nos coloca a mentalidade do poder tentador para obter audiência e lucro. A internet tem-se mostrado também um veículo de muita tentação.
A Campanha da Fraternidade nos propõe a superação da tentação do ter como finalidade. A economia, no entanto, precisa ser melhor encaminhada para produzir vida, justiça social e promoção humana. A escravidão do ter faz as pessoas errarem o objetivo da vida, que as leve a um ideal de solidariedade, fraternidade e conquista de mais dignidade. Sozinhos, nós nos enclausuramos na idolatria do ego. Por isso, a Quaresma nos convida à oração, à penitência, à prática da solidariedade e à convivência no amor a Deus e ao semelhante.
A Palavra de Deus é capaz de mover nossos corações, a ponto de vencermos os males e viver a vida nova de quem celebra a Páscoa com Jesus: “Todo aquele que nele crer não ficará confundido” (Romanos 10, 11).
É Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Primeiro Vice-Presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic). Nasceu em Ituiutaba, Minas Gerais, em 23 de outubro de 1943. Pertence à Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo (CSS). Foi nomeado Arcebispo Metropolitano de MOC em 07 de fevereiro de 2007, tomando posse nesta Igreja Particular em Missa Solene no dia 14 de abril do mesmo ano.
