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O Sacramento da Penitência

Publicado em 16/02/2010 por Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis

Gesto misericordioso de Deus ante o pecador

"Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia divina o perdão da ofensa feita a Deus e ao mesmo tempo são reconciliados com a Igreja que feriram pecando, e a qual colabora para a sua conversão com caridade, exemplo e orações" (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, nº. 1422).

O Tempo da Quaresma que iniciamos com a Quarta-Feira de Cinzas é extremamente propício para a reconciliação com Deus, que nunca limita o pecador à sua condição de pecado, mas está sempre disposto a recomeçar com ele uma vida nova, mediante o arrependimento sincero, a conversão do coração e o propósito de emenda. A liturgia da Palavra nos lembra isso, através de São Paulo. “Em nome de Cristo, vos suplicamos: deixar-vos reconciliar com Deus” (2 Cor 5, 20). É tempo também de reconciliação com os irmãos para que possamos celebrar bem e com coração purificado a maior festividade da vida da Igreja: A Páscoa de Jesus.

Jesus vem revelar a misericórdia do Pai e faz um convite veemente à conversão, perdoa os pecados e restitui a dignidade de vida aos que estavam perdidos nas trevas do erro. Ao voltar ao Pai, Jesus deixa a Igreja, instituída por ele mesmo que, conduzida pelo seu Espírito, continua a sua missão, promovendo, através de seus legítimos ministros, a reconciliação no seio de toda a humanidade. Assim, por causa de sua íntima conexão com Cristo, é inerente à missão da Igreja o seu caráter reconciliador.

Todo fiel tem o direito de buscar a reconciliação com Deus, com os irmãos, consigo mesmo, com o mundo e com a própria Igreja através do Sacramento da Reconciliação. A Igreja deve deixar transparecer a face acolhedora de Deus e o coração sensível de Jesus, ao acolher seus filhos pecadores, promovendo o retorno à casa paterna. Através deste sacramento, a Igreja se faz, ao mesmo tempo, promotora da justiça e da paz.

A confissão é o sacramento por excelência da conversão e da reconciliação. De fato, Deus é sempre maior que a nossa limitação humana. Como nos diz São Paulo, “onde avultou o pecado, a graça superabundou” (Rm 5, 20). Deus é pródigo em sua misericórdia e está sempre pronto a perdoar o pecador arrependido. O sacramento da reconciliação foi instituído para todos, com especial particularidade para aqueles que, depois do batismo, incorreram em algum erro grave e se distanciaram da comunhão eclesial. A misericórdia redentora de Deus, pelo Espírito Santo, exprime o poder santificador e reconciliador da Igreja.

O sacramento da reconciliação é momento celebrativo da misericórdia divina, pelo ministério da Igreja, dentro da história necessitada de reconciliação. Toda a história humana, desde as origens, é graça, fruto do amor gratuito de Deus. Pelo ministério da Igreja é que os homens são chamados a acolher a reconciliação. Neste ministério sobressai, em favor dos cristãos que pecam, o sacramento da reconciliação. Este sacramento, de modo muito especial, celebra a misericórdia divina. O ministério eclesial da reconciliação é serviço da Igreja à misericórdia de Deus em favor dos homens.

A Igreja é agente e instrumento da acolhida da reconciliação para todos os que pecam. E esse ministério ela o exerce de maneira específica pelo sacramento da reconciliação. De fato, todos os pecados cometidos após o batismo tomam uma dimensão não somente pessoal, mas eclesial. Por isso os fiéis em situação de pecado grave são tidos como membros enfermos do corpo de Cristo, necessitando de reconciliação com Deus e com e Igreja. Destarte, pela celebração da penitência, a Igreja evoca o mesmo Deus que manifestou sua misericórdia na História da Salvação, realizando maravilhas em favor do povo escolhido, e nos deu a conhecer seu coração misericordioso através de seu Filho Jesus Cristo.

Muito se fala hoje que este sacramento se encontra em crise, o que se deve a inúmeros fatores: falta de procura por parte dos fiéis, acomodação inserida pelas chamadas “confissões comunitárias”, falta de disponibilidade dos próprios confessores... mas talvez a maior delas esteja na falta de sentimento de culpa que a cada dia se faz mais presente na consciência das pessoas. Contudo, os efeitos deste sacramento estão muito além do que humanamente podemos perceber. Muito mais do que a plena confissão dos pecados, como se costuma pensar, o sacramento da reconciliação se caracteriza pela confissão e proclamação da misericórdia do Pai. Quando essa misericórdia é acolhida e por ela nos deixamos envolver, abrimos o coração para o amor a Deus e aos irmãos. Só assim poderemos compreender a eficácia que o sacramento da reconciliação pode atingir em nossa vida.

Urge a necessidade de compreendermos bem o termo “reconciliação”. Através dele, recordamos que o sacramento não se reduz unicamente a um movimento do ser humano que se volta para Deus, mas consiste no movimento em que o próprio Deus também se volta para o ser humano e, com misericórdia, concede-lhe o perdão. “Reconciliação” evoca o encontro de dois companheiros que relevam os impasses existentes entre si e voltam à comunhão plena; e tal encontro se efetua no sacramento. Além disso, a noção de reconciliação tem o mérito de nos abrir o olhar para o conjunto da obra da salvação.

A reconciliação é, em si mesma, iniciativa de Deus. Ele mesmo toca o coração humano para que possa voltar-se a Ele e reconciliar-se. Não pode haver reconciliação consigo mesmo se antes não houver reconciliação com Deus. É Deus quem age. Contudo, a sua ação não visa reconciliar-se Ele conosco, mas visa fazer com que nos reconciliemos com Ele. Desse modo, o sacramento do perdão está destinado a favorecer a reconciliação universal: em quem recebe o perdão divino são suscitadas disposições de perdão pelas ofensas recebidas dos outros, restabelecendo uma atitude de paz que induz a por fim a qualquer conflito. Na apreciação da bondade e da clemência divinas, os cristãos são encorajados a traduzir esses mesmos sentimentos no comportamento para com o próximo.

A graça do sacramento da reconciliação nos faz sentir restaurados diante de Deus e da Igreja. Contudo, a ação misericordiosa de Deus que atua em nós não pode ficar estanque. A reconciliação só produz seu verdadeiro efeito se impele aquele que se beneficia dela à prática da mesma generosidade, superando qualquer tipo de hostilidade na vivência do amor, até mesmo em favor dos inimigos, como nos ensina o próprio Jesus (Cf. Mt 5, 44). Eis porque a graça deste sacramento não se limita apenas à reconciliação com Deus, mas se estende à relação de caridade para com todos os irmãos e irmãs, propagando a misericórdia para além da própria humanidade, ou seja, a todo o universo. Por isso, não percamos essa oportunidade: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2 Cor 6, 2b).

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Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis

Padre Gledson Eduardo de Miranda Assis

É Sacerdote da Arquidiocese de Montes Claros ordenado ao lado dos colegas Antônio Teixeira e Édson José dos Santos no dia 12 de dezembro de 2009, na Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora Rosa Mística de Montes Claros, e sob a imposição das mãos do Arcebispo Metropolitano Dom José Alberto Moura. Sua Ordenação Diaconal aconteceu em 31 de julho de 2009, também presidida por Dom José Alberto Moura, só que na Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora de Fátima de MOC. Gledson é formado em Filosofia pela Faculdade Arquidiocesana de Mariana (FAM) e em Teologia pelo Seminário Maior Imaculado Coração de Maria de MOC. Como Seminarista, fez trabalho pastoral na Paróquia São Sebastião de Taiobeiras e na Paróquia Santos Reis de MOC. Atualmente está na Paróquia São Sebastião de MOC e no Setor Juventude Arquidiocesano. Nasceu em 28 de dezembro de 1980 em Cipotânea, Minas Gerais. É colaborador do jornal "Clarão do Norte" desde agosto de 2008. Seu e-mail é gledsoneduardo@yahoo.com.br.  

 

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