Certo dia, Platão contou uma parábola. Utilizando o método do diálogo, em que o interlocutor principal era o velho Sócrates, da mesma forma como aqui, parafraseamos o escritor Neidson Rodrigues em sua obra "Lições do Príncipe e Outras Lições". Platão discorreu longamente sobre o compromisso político do filósofo, título atribuído a quem se dedicava ao trabalho intelectual. Para Platão, o filósofo tinha o dever de comprometer-se com a atividade política. A política, arte de conduzir os destinos da cidade, exigia que os dirigentes fossem pessoas competentes, formadas para o exercício da mais importante tarefa da cidade: orientar os homens para a plena felicidade. Devendo ser, o dirigente maior, modelo de Sábio, aquele que, após ter passado por todas as provas da experiência e da dedicação às artes do espírito, mantivesse incorruptível o amor ao saber. Soubesse destinguir corretamente a verdade, da falsidade; o belo, do feio; o bom, do mau; o justo, do injusto.
Para Platão os homens vivem na ignorância, como se estivessem amarrados numa caverna. Desta forma começa a sua parábola: vamos imaginar um grupo de homens que, desde seu nascimento, vive numa caverna amarrado e de costas para sua entrada. Nunca viu a luz do dia. Só conseguia ver projetada no fundo da caverna as sombras dos objetos que estavam fora da caverna. O grupo sabia distinguir uma árvore de um carneiro, apenas por sombras.
Certa vez, continua Platão, um deles consegue se soltar e consegue sair para fora da caverna. Inicialmente, ofuscado pela forte luz do dia, não consegue enxergar nada, pois estava acostumado ao mundo das trevas, mas aos poucos, sua visão vai se recuperando e percebe a maravilha do mundo real, um espetáculo real, não mais de sombras. Não há mais sombra de uma árvore, mas a árvore; não mais a sombra de um animal, mas o animal. E que diferença!
Com tanta beleza, lembra de compartilhar com seus amigos este mundo de luz. Retorna, então, à caverna e relata tudo a seus amigos. Estes não acreditam no que ele diz e pede-o para que identifique tudo o que foi observado através de sombras. Após contato com o mundo de luz, ele não conseguia mais saber identificar as sombras dentro da caverna, pois era um mundo de trevas. Seus amigos se revoltam contra ele, acusam-no de mentiroso e falsário. Segundo Platão, só não o matam porque estavam amarrados.
Grande parte das pessoas se acostuma facilmente com um mundo de sombras, de mentiras, um mundo superficial. E, às vezes, quem quer que seja que adquira uma condição de discernimento melhor, seja empiricamente ou por condição intelectual, corre o risco de ser eliminado, principalmente se fizer parte de um mundo comandado por coronéis. O mundo das pequenas “cavernas” que o digam.
Tem 35 anos, é casado com Edna e pai de um filho, Rafael. É enfermeiro com especialidade em Enfermagem Cardiológica e Docência do Ensino Superior. Formado em Filosofia, ele é professor de Enfermagem na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), nas Faculdades Integradas Pitágoras de Montes Claros e nas Faculdades Santo Agostinho. Faz trabalhos voluntários na Paróquia Santa Rita de Cássia de MOC e na Pastoral Catequética. É catequista da Perseverança, além de missionário da Pastoral da Comunicação Arquidiocesana. Foi vice-coordenador da Pastoral do Menor da Arquidiocese de Montes Claros (2009-2010). Seu e-mail é rickenfermeiromoc@yahoo.com.br.
